O povo do Alentejo e a arte de moldar

Barros do Alentejo

O povo do Alentejo e a arte de moldar

"Os habitantes desta parte de Portugal que, por conveniências administrativas, constitui hoje a «Província do Alto Alentejo», foram, desde tempos remotos, muito dados às artes plásticas e industriais. Região onde a matéria-prima não escasseava – mármores e barros em especial - não admira que a abundância lhes despertasse inclinações e vontade de traduzirem objetivamente as suas idealizações e conceções estéticas, em ordem não só à recreação do espírito, mas também à utilização das suas criações na vida prática e doméstica.
Foram, sobretudo, os trabalhos de cerâmica que, entre o povo, mais se generalizaram, visto as argilas aluminosas[1] [figulinas[2] e margas[3]] estarem ao alcance de todos, serem de mais fácil exploração e servirem à feitura de objetos decorativos, que nos encantam pela beleza e harmonia das formas [estatuetas, imagens, jarras, azulejos, baixos relevos...], assim como à confeção de artefactos de reconhecida utilidade prática em usos domésticos e industriais, tais como: bilhas, pichéis[4], azadas, potes, louça variada, telhas e tijolos.
Tudo leva a crer que o aperfeiçoamento da arte da olaria só começou nos primórdios do século XVII, assinalando-se depois esse aperfeiçoamento nas faianças e nos azulejos de Estremoz, nas cantarinhas de Nisa, nas bilhas de Viana, entre outros."

Parte do texto publicado por João Ruivo em “Arquivo Transtagano”, Ano V, Nº 1 de 15 de Maio de 1938

[1] Dizem-se aluminosas por conterem alúmen, ou partículas que brilham
[2] Diz-se figulino o barro macio e fácil de amassar.
[3] As margas são argilas calcárias.
[4] O pichel é uma pequena vasilha ou cântaro para vinho.


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