Anoitecer em Monsaraz - 2



Anoitecer em Monsaraz (Alentejo)
18 de Dezembro de 2015


Recordações

“Dias e noites da minha aldeia,
Noite de lua, dia de sol,
Mares de trigo que o vento ondeia,
Ingénuo rio que o mar engole.

Velhas charnecas de azinho e esteva,
Turibuladas de rosmaninho,
Onde altas horas ninguém se atreva,
Que as bruxas andam pelo caminho.

Montes e vales, rochas fragueiras,
Hortas, vinhedos, noras cantantes,
Medas de palha junto das eiras,
Onde em pequeno brincava dantes.

Maltês sem rumo, quero trabalho;
Eis-me no alpendre: “Bom lavrador,
Chove água a potes, dá-me agasalho,
Quem bem semeia colhe melhor.

Ando no mundo desamparado,
Foi para isto que ao mundo vim;
Tens muito trigo?... toma cuidado,
Se queres tê-lo, tem dó de mim!”

Conde de Monsaraz



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