As vindimas ontem
Palmela:
Quinta do Piloto – 3 de setembro de 2018
“As
vindimas são um verdadeiro marco da etnografia portuguesa e, em tempos
passados, o trabalho da colheita das uvas era visto, sobretudo, como uma
autêntica celebração. Familiares e amigos reuniam-se no dia designado para as
vindimas – cada um combinando datas diferentes para que o grupo pudesse ajudar
nas vindimas uns dos outros – e o trabalho começava bem cedo com os homens
carregando escadas de madeira às costas para se chegar a todos os cachos e as
mulheres com os cestos de vime, onde seriam transportadas as uvas, na cabeça.
As crianças e os idosos acompanhavam de perto cada minuto das vindimas,
ajudando sempre que podiam. E porque se tratava de uma verdadeira celebração,
as vindimas decorriam ao som dos ranchos folclóricos que seguiam para as terras
em ritmo de cortejo. Os trajes típicos emprestavam ainda mais cor ao cenário
das videiras pesadas com deliciosas uvas e ao chilrear dos pássaros juntavam-se
as músicas tradicionais das vindimas, acompanhadas pelos bombos, concertinas,
ferrinhos e braguesas. A meio da manhã parava-se para petiscar qualquer coisa e
ganhar força para continuar, sendo os homens a carregar os cestos de vime já
repletos de uvas até aos carros de bois, enquanto as mulheres não deixavam
escapar nem um cacho das videiras. O descanso merecido depois de uma manhã
inteira a vindimar acontecia durante um almoço prolongado, sempre em ambiente
de festa. Ao anoitecer, as vindimas e as celebrações continuavam nos lagares
onde os homens, de calções ou calças arregaçadas, formavam uma roda, davam os
braços e ao ritmo da música pisavam as uvas colhidas de manhã.”
Texto
capturado em 5 de setembro de 2018 de: https://clubedevinhos.com/
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